Cotação: o preço de várias lojas, lado a lado
Você abre uma cotação com a lista da obra, convida as lojas, e cada uma manda o preço dela. Você vê tudo lado a lado, pode pedir uma revisão a quem quiser, e escolhe. É o jeito como compra grande realmente acontece — hoje por WhatsApp e planilha, com você somando à mão.
★ Não é disputa, não é pregão, não é leilão
Cada loja envia a proposta sem ver a das outras e sem saber quem mais foi convidado. Não há rodadas de lance, não há cronômetro e ninguém fica sabendo que está perdendo. O sistema não põe loja contra loja: ele recebe preço e mostra a você.
Dois motivos, e nenhum é estético. O primeiro é seu: o fornecedor que descobre estar num ringue aumenta a margem de segurança ou simplesmente não responde — e quem perde a proposta boa é quem comprava. O segundo é jurídico: o Guia de Combate a Cartéis em Licitação do CADE registra que propostas idênticas até os centavos levantaram suspeita de combinação de preços, e uma plataforma que põe concorrentes a se verem disputando cria o ambiente e guarda a prova. Preferimos não criar.
E uma precisão de vocabulário que também é jurídica: isto não é licitação. A Lei 14.133/2021 vale para compra pública e não se aplica aqui. Nenhuma tela chama isto de "licitação", "pregão" ou "leilão" — o vocabulário pode ser emprestado, as obrigações não.
★★ Você compra de quem quiser, pela razão que quiser
O sistema não elege vencedor e não ordena ninguém a aceitar a proposta mais barata. Ele ordena a tela pelo menor preço porque é o que ajuda a ler — e deixa à vista o prazo, o frete, a condição de pagamento, o que cada loja não atende e quem já lhe entregou bem antes.
Preço não é o único critério de ninguém: a loja mais barata pode ter prazo de dez dias quando a sua laje é amanhã, pode não ter munck para a sua rua, ou pode ser a que já atrasou. A escolha é sua, e você não deve explicação a ninguém — nem ao sistema. Essa frase está na tela de decisão, não só aqui.
Como funciona, do começo ao fim
- você cria a cotação com os itens, a obra, a cidade e até quando aceita proposta — e pode colar a lista do engenheiro, como no pedido rápido;
- convida as lojas (ou abre a qualquer loja da plataforma que atenda a sua cidade);
- cada loja aceita o regulamento e manda o preço dela, item por item, dizendo o que não atende;
- você vê o quadro comparativo: total, frete, prazo, item por item;
- se quiser, pede revisão a uma loja ou a todas — inclusive dizendo que recebeu valores menores. A loja decide se refaz o preço;
- você escolhe, e as não escolhidas são avisadas de que a cotação foi decidida — sem saber por quanto nem para quem.
O pedido de revisão é seu, com as suas palavras, para quem você escolher. O sistema nunca avisa uma loja de que ela está caro: ele não sabe dizer isso sem contar o preço de outra, e contar preço de terceiro é o que ele não faz.
A régua não muda depois da abertura
Critério, tratamento de empate e o regulamento são definidos antes de abrir, e o banco recusa a alteração depois — inclusive se for você a tentar. Sem isso, quem recebesse uma proposta boa poderia reescrever a régua para premiar outra, e o registro não acusaria nada. Toda proposta fica com data, hora e versão do regulamento aceita, e esse registro não pode ser alterado nem apagado: serve de prova para as duas partes.
O que o sistema não faz
Ele não aplica sanção automática a quem desiste de uma proposta. A pesquisa não achou doutrina firme sobre força vinculante de proposta em cotação privada, e punir automaticamente sem base é criar briga que a plataforma não tem como sustentar. O aceite do regulamento fica registrado; a decisão é das partes. E a plataforma não entra no negócio: não recebe o pagamento, não contrata o frete e não garante a entrega.